quarta-feira, 7 de junho de 2017

O CASTELO DAS FADAS


Esta reportagem conta-nos como o repórter encontrou, em pleno coração da cidade de Pôrto Alegre, o Castelo tão ansiosamente procurado pelo poeta.
A grande alma do Castelo das fadas é Licília Minssen, a fada de olhos azuis que muito já fez e muito ainda há de realizar auxiliada por Astrid Baumgard, sua primeira assistente no trabalho na Biblioteca. 

Texto de Antônio AUGUSTO / Fotos de Orlando MOSCA
            Todas as crianças (inclusive as que ainda vivem nos adultos que hoje somos) sonham com uma fada de olhos azuis e bonitos, de fala doce e bondosa. E sonham, como o poeta que foi em “Busca da Lua cheia”, um dia encontrar o Castelo das Fadas, um mundo de encantamento, um mundo mágico e maravilhoso, ainda não corrompido pela presença do Homem Grande, do mesmo “Homem Grande” que sempre aparece nos sonhos infantis.
            Pois o repórter foi encontrar, em pleno coração de Pôrto Alegre, esse mundo que tem a beleza de Branca de Neve e a magia dos Sete Anões.
Por isso, esta reportagem podia começar assim: “Era uma vez...”.
            “Era uma vez uma fada de olhos azuis e fala doce, que gostava das crianças e vivia para elas”. E para as crianças aprendeu nos livros a arte de ensinar – que é a arte do Amor.
            A fada de olhos azuis mandou chamar outras fadas amigas. E convocou Branca de Neve e os Sete Anões, A Gata Borralheira, o Pequeno Polegar, Joãozinho e Mariazinha, o Gato de Botas, Julião – o Alfaiate, e mais Príncipes, Princesas, bichos que falavam e coisas encantadas; os homens sábios do Reino queriam um Castelo para as crianças e seu desejo não seria vão.
            No dia em que abriram as portas do Castelo às crianças, e eu também fui convidado. Comi muito doce e até trazia um pouco pra vocês, mas na ladeira do Escorrega, caí, derrubei os peçuêlos ...”
            Se fosse um conto infantil poderia terminar ai, como terminavam as saudosas histórias da mamãe gaúcha repetindo mil vezes as aventuras do heróico príncipe que salvou a princesa do dragão.
            Mas esta reportagem não é um conto fantasioso, felizmente: é uma realidade. Por que a esta história é a história da Biblioteca Infantil da Divisão da Cultura da Secretaria de Educação do Estado. E não termina aqui: há de continuar a ser ouvida por milhares de crianças que fizeram destas salas o seu Castelo encantado, que ao transporem as portas da Biblioteca Infantil, penetram num mundo maravilhoso cheio de poesia.
E’ o Castelo das Fadas.
            Lucília Minssen, a fada de olhos azuis. Astrid Baumgart, com a poesia do “Kasperle”. Zayra Petry. Juliana Rosa... São quatro.
            Dia após dia, semana após semana, nossos irmãozinhos invadem alegres os recintos do Castelo das Fadas. E buscam nas histórias encantadas a vazão de suas fantasias, fazem da biblioteca Infantil, o seu Castelo “faz-de-conta”.
            E se o leitor (algum dia, talvez) se lembrar da criança que deixou de ser, há de pensar com nostalgia neste Castelo de portas abertas, onde o idealismo de quaro moças construiu um mundo maravilhoso.

            E vai, um dia olhou em redor, e viu as crianças gaúchas sem um Castelo de sonho, sem uma fada que olhasse por elas. E pediu a Deus Nosso Senhor a missão. Depois, foi buscar em terras distantes tudo o que faltava aprender. Andou... andou... andou... Viu mares e terras, montes e vales, searas e desertos... Viu crianças de todo o mundo, trazendo nas almas inocentes a eterna interrogação do “Por quê?” ao mundo que depois teriam de enfrentar. E de tudo que viu, aprendeu.
          Um dia, voltou. Trazia nos olhos azuis a visão do futuro que haveria de construir para as crianças gaúchas. Trazia nos olhos azuis a luz que irradia das pessoas “de alma forte e coração sereno”. Trazia para as nossas crianças, nosso irmãozinhos, uma mensagem recolhida pelo mundo, uma grande mensagem de amor e fraternidade.
          Mas quando chegou, os homens sábios do Reino já tinham ouvido falar de seus desejos, e porque eram sábios compreenderam o seu alcance. Vai, construíram as paredes de um Castelo, e chamaram a fada de olhos azuis para o seu arranjo, dizendo: “Este Castelo é para as nossas crianças!”.
 Magazine A HORA – página 5 – 14 de abril de 1954


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